Nordestina Desvairada

Nordestina Desvairada

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Pra fechar 2010

Faz um bom tempo que eu não publico nada por aqui...
Não tenho vontade de escrever, por mais que muita coisa tenha acontecido na minha vida nos últimos meses.
Se eu fizer uma retrospectiva ao colocar a cabeça no travesseiro agora, vou me dar conta de como o ano de 2010 foi bom pra mim. Conquistei muitas coisas, dentre elas a coragem para mostrar o que sinto e o conhecimento para saber a hora certa de bater em retirada.
Esse amadurecimento do pensamento e a abertura para o mundo só dificulta o desapego desses 365 dias que se encerram dentro de algumas horas.
Por mais que todas as pessoas do mundo se empolguem com a chegada desse “algo novo”, pra mim sempre existe uma leve tristeza em deixar algo bom para trás... Principalmente sendo um ano com tantas coisas positivas e exclusivas minhas.
Resta ter esperança de que 2011 seja tão bom quanto o seu antecessor.
Venha logo! Venha cabreiro de inicio, mas venha de bem com a vida pra que essa nordestina não seja sempre tão desvairada ao passar dos dias...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sinuca de bico

Tenho que parar de me meter em merda.
Essa é uma meta de vida.
Tenho que parar de pensar tanto.
Essa é outra meta.
Infelizmente as duas são opostas, já que se eu não penso, eu acabo fazendo merda.
Sinuca de bico escrota essa em q eu me meti.
E agora?
O que escolher?
Fazer merda ou pensar muito?
Confesso que não quero nem um nem outro.
Quero ser safa, quero ser solta, quero curtir sem me preocupar e ainda assim levar uma vida sem ter vergonha dos possíveis deslizes que cometerei (não tem como escapar deles).
Será possível?
Só o tempo dirá...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Corda

Dá corda na boneca pra ela andar.
Dá corda na caixinha de música, pra ver a bailarina rodar.
Dá corda pra menina, porque ela quer pular.
Dá corda no relógio, pra ele não atrasar.
Dá corda pro acusado, pra ele se enforcar.
Dá corda pro homem saliente, pra ver até onde aquela corda vai chegar...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Multiplicação familiar

Antes eu era a terça parte de uma família de números simples. Hoje eu sou praticamente um avo de um grande conjunto de números naturais. Não sei se os termos são corretos, mas uma coisa é fato: houve a multiplicação familiar.
Deixemos a matemática de lado e contemos a história desde o seu inicio.
Há tempos atrás, a figura paterna de certa garotinha sergipana foi apagada de seu convívio, levando não somente o pai, mas todos os componentes desse vínculo sanguíneo.
Muitos anos depois – cerca de 45 – o bom filho a casa torna. Na verdade o bom irmão a casa retornou, graças ao Google e sua vasta compilação de informações.
Na Era da tecnologia, não é só notícia e pornografia que nós temos a um click de distância – também temos família e reencontros inimagináveis.
Agora sou mais uma componente dos Veloso graças a uma ferramenta de pesquisa virtual e as maluquices de uma mãe tão desvairada quanto esta que escreve neste blog sem ibope.

O PORQUÊ DAS COISAS

Eu gosto de saber o porquê das coisas. Acho de extrema necessidade entender a raiz de cada questão, achar o algarismo escondido na letra X.
Não ter respostas me deixa em um estado de indagação incessante, algo que beira a loucura e chega a ser perturbador. Deparar-me com situações onde a resposta não está clara, além de ser uma tortura mental acaba se transformando em tortura física igualmente, já que as longas dores de cabeça só acentuam a busca pelo El Dourado cognitivo.
Se pelo menos eu tivesse convergido essa sede por respostas para algo produtivo, hoje poderia ser uma ganhadora do Prêmio Nobel da Paz por achar a solução dos males do mundo... Mas nãããão! Eu tive que converter esse dom em uma maldição – bem no estilinho Spiderman.
Eu uso minhas forças para questionar a vida (a minha vida), as pessoas (à minha volta), os acontecimentos (que me abalam), o mundo (o meu mundinho insano).
É difícil querer entender a tudo e todos se nem conseguimos chegar a conclusões simples sobre nós mesmos. Às vezes uma tola frase, por mais inocente que pareça , pode ser o motivo para uma noite de sono perdida, um telefonema desesperado para a companheira de conspirações e teorias e até mesmo o tema de um texto no meio de uma tarde monótona.
O porém do “porque” é saber chegar a sua conclusão sem demonstrar as partes envolvidas a busca pela resposta escondida. Todo o treinamento psicológico estabelecido ao longo dos anos de questionamento deve ser colocado em prática mostrando que o porquê precisa ser revelado, mas não há uma urgência em sabê-lo. Ou seja, eu quero saber, mas não demonstro. Eu estou corroendo meu cérebro com perguntas sem respostas, mas não transpareço a loucura internalizada. É difícil... É um trabalho pra raros...
Pode demorar mais tempo do que o imaginado, tudo pode vir à baixo como uma casa de cartas construída na frente de um ventilador, mas um dia a resposta vem. Seja em sonho, seja em discussões acaloradas ou na frente do computador olhando pra um teclado de letras apagadas à meia luz do meu abajur.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Maldito Morfeu

Ontem tive o mais belo dos sonhos, daqueles coloridos e cheios de significados. Sonhei com alguém que me protegia, me dava carinho, me aninhava em seu peito e dizia que tudo ficaria bem.
Imagens tão reais desse anseio mascarado em devaneio permaneceram entalhadas em minha mente ao longo do dia. Via com toda clareza aquele rosto que me mostrava carinho, aqueles braços dos quais me passavam calor e aquela boca que pronunciava com todas as letras que o lugar dele era ali, ao meu lado.
Era tudo tão real. Chega a ser cruel ver que tudo foi um sonho. Por que Morfeu me pregou essa peça? Já não basta sonhar acordada com aquilo que não se pode ter? Até no meu momento de descanso e desligamento do mundo eu preciso cair no precipício do “querer e não poder”? Só mesmo o sadismo dos deuses gregos conosco, pobres e suscetíveis mortais.
No meu mundo de sonhos e idéias tudo era tão perfeito que me deparar com a realidade e seu leque de possibilidades tornou-se injusto. Do que me adianta ter um rosto em mente e não uma presença em toque. Imaginar que a plenitude da companhia daquele que poderia ser real não passou de uma válvula de escape para as imagens que bombardeiam constantemente minha vida globalizada.
Se Freud explica nossos sonhos, quero escutar da boca de seus estudiosos à explicação da minha quimera. Saber a raiz do problema, o significado do ato e o presságio escondido que sempre é protelado.
Enquanto respostas não surgem, só me resta vagar pelas ruas à procura daquele que completou minha noite e inquietou o meu dia. Aquele rosto com feições másculas e gentis, de tez pálida, cabelos negros, voz grave e sorriso largo. Quem sabe um dia, o sonho se torna realidade?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Hoje eu quero ser menina...

Hoje eu quero ser menina.
Menina de olhar ingênuo e palavras doces.
De gestos suaves e semblante calmo.
Com conduta gentil e coração tranqüilo.
Quero a delicadeza da moça e o requinte da dama.
A inocência das jovens e a maturidade das vividas.
O lúdico das crianças e a razão dos adultos.
Eu quero tudo isso embrulhado num papel simples, para não perder a alegria tola de rasgar a embalagem.
Não preciso que me presenteiem. Isso eu posso me dar sozinha.
Até tento no nascer do dia, mas algo muda ao longo das horas e a gentileza é tomada pelo deboche. A delicadeza enrijece-se e transfigura-se numa armadura de silêncio e reclusão.
A menina não está mais presente.
A menina não tem mais o seu tão desejado presente, mas ainda prende-se as vontades juvenis e a busca pela inocência longínqua dos tempos de boneca.